Alexandre de Moraes determina buscas contra fonte de jornalista

A operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, investiga Raimundo Cutrim por suposto vazamento de informações a jornalista |Gustavo Moreno/ STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado pela investigação como fonte do jornalista Luis Pablo. O profissional publicou uma reportagem relacionada ao uso de veículo oficial pela família do também ministro do STF Flávio Dino. As informações são do Jornal O Globo.

A medida foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em março, o próprio jornalista já havia sido alvo de uma operação e teve seu celular apreendido. Segundo os investigadores, Luis Pablo é suspeito de perseguir Flávio Dino.

A PF sustenta que Cutrim teria utilizado sua posição no poder público para obter informações e imagens posteriormente repassadas ao jornalista. Parte dos dados, conforme a investigação, teria sido retirada de sistemas de acesso controlado.

“Ficou demonstrado que Raimundo Soares Cutrim foi o responsável pela obtenção de informações de sistemas de acesso restrito, as quais foram repassadas para Luis Pablo, bem como o fornecimento de filmagens da família do ministro Flávio Dino”, afirma trecho do relatório da PF reproduzido na decisão de Moraes. A corporação ainda busca esclarecer a origem das filmagens.

Os investigadores também localizaram conversas entre Luis Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís. Segundo a PF, as mensagens indicariam discussões sobre a produção de reportagens com o objetivo de transmitir uma imagem negativa de Dino.

A investigação identificou ainda uma transferência de R$ 100 mil de Diogo Lima para Luis Pablo, realizada por meio da conta de Danilo Cutrim Bezerra. De acordo com trecho da decisão, a movimentação teria como justificativa o pagamento de parte da compra de um imóvel pertencente a Danilo.

A defesa de Raimundo Cutrim informou que ainda não teve acesso aos processos relacionados às operações. Em nota, afirmou que as medidas dizem respeito às reportagens de Luis Pablo sobre o suposto uso irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família de Dino e acrescentou que essas denúncias “seguem sem apuração”.

A assessoria de Flávio Dino negou qualquer irregularidade. “Jamais houve uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão”, declarou. Segundo a manifestação, um carro blindado foi cedido após solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de acordo de cooperação existente com tribunais do país.

A equipe do ministro afirmou ainda que detalhes relativos à segurança de Dino e de seus familiares não podem ser divulgados. Segundo a nota, investigações recentes mostraram que até veículos particulares utilizados pela família eram “monitorados” e seguidos, razão pela qual novas providências reservadas de segurança foram solicitadas.

O processo tramita sob segredo de Justiça. Em julho, Dino determinou a prisão domiciliar de Raimundo Cutrim em outra investigação, também sigilosa, na qual existem suspeitas de obstrução de Justiça e coação no curso do processo.

Fonte: BNews

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