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       Foto: Sérgio Góes

Video Assistant Referee: popularmente conhecido como "VAR", ou árbitro de vídeo. A ferramenta é utilizada no futebol desde agosto de 2016, e chegou com a promessa de reduzir os erros de arbitragem cometidos recorrentemente em campeonatos mundo afora. Porém, mesmo com o advento da nova tecnologia, as polêmicas não deixaram o esporte. Como um elemento da história do futebol, o recurso ainda não foi completamente compreendido por aqueles que assistem ao jogo e até mesmo por quem o manuseia. A ideia do jornalista baiano William Tales, ao escrever o livro-reportagem "[VAR] - A história e os impactos da maior mudança na aplicação das regras do futebol", é justamente permitir um entendimento maior sobre a proporção da ferramenta.

A obra, que é a primeira no Brasil a tratar sobre o assunto, está em fase de pré-venda, e terá o seu lançamento, pela editora Footbooks, novo selo da Corner, no dia 30 de junho. A compra pode ser feita pelo site Livraria FC. Inicialmente, conta William, o produto foi objeto do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Eu reformulei algumas coisas, mas ele surgiu do meu TCC. Sempre fui muito interessado no assunto e sempre tive a noção do impacto do árbitro de vídeo. A Copa do Mundo de 2018 foi a concretização de que foi algo que veio para ficar", revelou, em entrevista ao Bahia Notícias.

Para incrementar a discussão, o jornalista, que tem passagens pela Rádio BandNews FM e TV Band Bahia, ouviu especialistas no assunto, como o presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Leonardo Gaciba, o secretário-geral da International Board, órgão que rege as leis do futebol, Lukas Brud, o ex-árbitro de Copa do Mundo e comentarista de arbitragem, Arnaldo Cezar Coelho, e o jornalista Arnaldo Ribeiro.

"Tive a sorte de conversar com pessoas que têm opiniões muito firmes. O árbitro de vídeo é um tema em disussão. Para mim não tem como apontar um lado certo ou errado. É um projeto em construção. Temos que ouvir todo mundo para aperfeiçoar esse equipamento", pondera.

Entre as discussões colocadas principalmente por Gaciba e Brud, está uma possível mudança na regra do impedimento. À International Boarding, a CBF deu a sugestão de excluir partes do corpo como cabeça, ombro e tronco das referências para se marcar ou não um impedimento, usando apenas a posição dos pés dos jogadores para decidir se alguém está ou não à frente do penúltimo defensor, o que configura a irregularidade.

"A partir do momento que a gente tiver os pés como referência, nós não teremos mais o problema de fazer a projeção das linhas verticais. Ficaria bem mais simples e rápido, mas não somos nós que fazemos as leis", disse Gaciba, à obra, se referindo ao sistema de vídeo que apresenta problemas na hora de colocar linhas verticais que definam se o jogador está ou não impedido.

A International Boarding, contudo, não tem perspectiva de alterar essa regra, segundo Lukas Brud. "Isso porque a Fifa está trabalhando com linhas semiautomáticas no software", revela William.

     Baiano, jornalista William Tales divulga pré-lançamento de livro sobre VAR | Foto: Sérgio Góes

24 HORAS DE FUTEBOL

Para ter a ideia de escrever esse livro, William teve, desde cedo, uma relação muito forte com o futebol. "Minha relação com o futebol é praticamente minha relação com a vida como um todo. Hoje eu posso dizer, com tranquilidade e preocupação, que eu acordo, almoço e durmo vendo o futebol. As 24 horas do meu dia giram em torno de futebol. Vai além das quatro linhas, são histórias, são grandes personagens, são políticas, é um retrato do universo como um todo", conta.

Com o livro, ele pretende passar um pouco daquilo que ele acompanhou e pesquisou sobre o período que o esporte viveu antes da implementação do VAR. "Vamos desde antes da implementação, com uma série de eventos que levaram à necessidade de implementação. O futebol necessitava de uma intervenção tecnológica. Vamos anos antes, e tentamos desbravar as possibilidades futuras do equipamento. O que é necessário é otimizar o árbitro de vídeo e o objetivo do livro é justamente esse, trazer reflexões sobre o que vimos até aqui do sistema e sugestões de como ele pode ser algo melhor", projeta.

Para que isso aconteça, na opinião do autor, é necessário que essa "polarização" entre pessoas que amam e odeiam o árbitro de vídeo seja desconstruída. "Queremos mostrar que existem erros crassos no árbitro de vídeo, mas também mostrar para a galera que acha ruim que ele tem grandes benefícios. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Quem está por trás dessa tecnologia são humanos, que demandam tempo para se adaptar", afirma o autor.

Fonte: Bahia Notícias 

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