Solidariedade da Sorte

                                                   ((Foto: Marina Silva/CORREIO))

Quando os vizinhos fizeram o alerta do cheiro forte, já era tarde demais. Junto com o estrondo, veio uma bola de fogo que, em segundos, tomou conta da rua e deixou mais do que um rastro de destruição. Além de um prédio de dois andares destruído, objetos e eletrodomésticos arremessados e o pânico na comunidade, duas pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, com a explosão de um botijão de gás na noite desta quarta-feira (10), no bairro de Pau da Lima.

O aposentado Arsênio Almeida Santos, 71 anos, teve 90% do corpo queimado e está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral do Estado (HGE). Ele respira com o uso de aparelhos, segundo a família. “O estado de saúde é muito grave. As pessoas que deram socorro disseram que pele desprendia com facilidade do corpo. Ele está entubado”, contou a sobrinha dele, a autônoma Queila das Mercês Santo, 21, que acompanhou o trabalho da prefeitura na retirada dos escombros. Arcênio morava no primeiro andar do prédio onde houve a explosão. Segundo os vizinhos, o cheiro do gás saia da casa dele.

Já Jailson Ferreira de Jesus, 52, sofreu um corte na cabeça. Ele morava no andar superior do prédio e foi socorrido para o Hospital do Subúrbio, onde teve alta na manhã desta quinta (11). Logo cedo ele esteve no local e acompanhou o trabalho de vistoria dos engenheiros da Defesa Civil, que interditaram dois imóveis – o prédio e uma casa vizinha que teve a laje coberta pelos escombros gerados pela explosão.

   Jailson sofreu ferimentos na cabeça e teve alta nesta quinta-feira (Foto: Marina Silva / CORREIO)

Se ninguém nota o vazamento, o gás se acumula no ambiente e, em contato com algum aparelho elétrico ou interruptor, pode ocasionar uma faísca. “Um simples interruptor pode gerar uma centelha, ou seja uma faísca suficiente para ocorrer uma explosão”, explicou o comandante do 1º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM), o tenente-coronel Erenildo Costa, que estave no local do acidente. .

Explosão

A explosão aconteceu por volta das 23h30, na 2ª Travessa Jandaíra. Arcênio dormia e Jailson tinha chegado da rua, quando os vizinhos começaram a gritar. “Estava em casa com a minha mãe, quando ouvi o pessoal dizendo: vizinho, o gás está escapando. Foram uns cinco minutos das pessoas gritando e o cheiro forte começou a entrar lá em casa. Foi quando abrimos a porta e houve a explosão com a bola de fogo e poeira. Na hora pensei que a minha casa tinha desabado”, contou a doméstica Manuela da Silva, 27. A laje da casa dela ficou tomada dos escombros do prédio vizinho e, por isso, o imóvel também foi interditado.

   Com a explosão, o prédio de dois andares ficou totalmente destruído (Foto: Marina Silva /          CORREIO)

Sobrinha de Arsênio, Queila disse que o tio é esquizofrênico e o feito da medicação o impossibilitou de escutar o chamado dos vizinhos. “O remédio que ele toma é forte e provoca um sono pesado”, disse ela. Quando o aposentado acordou, não deu mais tempo de evitar a explosão. “O pessoal do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que levou ele para o hospital, disse que meu tio estava caído perto de um dos botijões de gás. Na casa tem dois botijões”, relatou.

Apesar do gás ter escapado no primeiro andar, o gatilho teria ocorrido no segundo andar, no momento em que Jailson teria acendido a luz. “Então, foi o que disseram. Ele (Jailson) chegou da rua e deitou. Ele ouviu gritos do povo alertando para o vazamento. Os vizinhos já estavam gritando há um tempo. Quando ligou a luz, explodiu”, detalhou Queila.

Com a explosão, as paredes, portões, grades, além de eletrônicos, como televisão, foram lançados e ficaram espalhados pelas escadarias da travessa. Arsênio foi encontrado pelos moradores e levado por eles para fora do ambiente do acidente. Cerca de 15 minutos depois, uma equipe do Samu chegou ao local e o levou para o HGE. “Estamos muito preocupados com ele. Estamos orando pela sua sobrevivência”, disse Queila segurando um medidor de energia do prédio que foi arremessado.

O prédio é da família de Queila e Jailson morava de aluguel. Com a explosão, ele sofreu um corte na cabeça com a queda das paredes de sua casa. Ele também foi socorrido pelo Samu.

  
     Queila disse que o tio não acordou a tempo por causa de remédios (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Pânico

A cabeleireira Priscila da Mata, 33, vizinha do prédio que ficou totalmente destruído, disse que na hora assistia televisão quando ouviu o estrondo. “Não senti o cheiro do gás, porque as minhas janelas estavam fechadas. Mas escutei a vizinhança falando do gás escapando. Quando resolvi ver o que de fato estava acontecendo, teve a explosão. Os vidros de minha casa quebraram na hora e achei que ela estava desmoronando”, contou ela.

O pânico não foi diferente para a doceira Margarida de Assis, 45. Ela dormia quando pulou da cama. “Quase enfartei de susto. Achei que alguém tinha jogado uma bomba debaixo de minha cama. Corri para a sala e vi que meus filhos também tinham acordado com o barulho. Quando fomos à janela, só haveria poeira e alguns pessoas na rua atordoadas sem saber o que estava acontecendo”, relatou.

Sobre o acidente, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) informou numa nota que fez vistoria e constatou a perda total do prédio onde ocorreu a explosão de um botijão de gás e perda parcial do imóvel vizinho. Na nota, diz que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) demoliu as partes remanescentes da construção, pois, com a explosão, toda a estrutura do prédio foi atingida.

A Codesal disse ainda que a Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) já procedeu o cadastramento dos moradores dos imóveis interditados e que foram encaminhados ao auxílio social.

    Objetos lançados com o estrondo foram retirados pela Limpurb (Foto: Bruno Wendel /CORREIO)

A Limpurb realiza a retirada dos escombros e desobstrução da via de acesso. Durante o trabalho, dois botijões de gás foram retirados dos destroços.

O trabalho de limpeza do local será finalizado nesta sexta-feira (12), segundo o presidente da Limpurb, Omar Gordilho. “Estamos com o efetivo de 22 agentes e vamos reforçar a equipe no período da tarde. Estamos com uma caçamba, um caminhão e todas as ferramentas para que os agentes executem esse trabalho e pretendemos terminar amanhã a retirada dos escombros”, declarou.

Fonte: Correio

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