Menina da Bota reclama de falta de dinheiro para campanha, mas recebeu R$ 693 mil de partido

Candidata a deputada federal por Minas Gerais afirma que não consegue bancar carro de som e equipe maior; prestação de contas registra R$ 696,6 mil em receitas |Divulgação

A influenciadora digital e cantora Maria José Mendes da Cruz, conhecida como a "Menina da Bota" e candidata a deputada federal por Minas Gerais nas eleições de 2026 pelo União Brasil, relatou dificuldades financeiras para custear uma estrutura de grande porte para a sua campanha.

"Do meu jeito, eu não tenho dinheiro para fazer a campanha muito grande, tipo carro de som, tipo mais pessoas entregando os materiais", disse a candidata.

Apesar do tom adotado no vídeo, os dados oficiais registrados no sistema DivulgaCandContas da Justiça Eleitoral mostram que a Menina da Bota recebeu R$ 693 mil da direção nacional do União Brasil e e R$ 3,6 mil da direção mineira do PSD.

Os registros apontam que a campanha declarou valores que totalizam R$ 291.000,00 em despesas já contratadas e pagas com fornecedores estratégicos.
A auditoria da prestação de contas revela que os recursos declarados foram direcionados a prestadores de serviços profissionais nas áreas de gráfica, marketing digital, contabilidade e advocacia:

  • MAG - Minas Artes Gráficas Ltda: Com CNPJ registrado em Belo Horizonte, no bairro Padre Eustáquio, a gráfica recebeu o montante de R$ 156.000,00 divididos em quatro lançamentos para a confecção de material impresso de campanha.
  • Play-In Digital Ltda: A agência de publicidade, inscrita no CNPJ 58.958.647/0001-00 e sediada em Cabo de Santo Agostinho (PE), recebeu R$ 75.000,00 para serviços de marketing digital e impulsionamento de tráfego pago. O endereço cadastrado na Receita Federal corresponde, segundo imagens disponíveis no Google Street View, a um terreno baldio. A legislação da Receita Federal admite empresas que atuem exclusivamente de forma virtual, mas prevê a suspensão do CNPJ quando a empresa não é localizada no endereço informado no cadastro.
  • Alcantara Costa - Sociedade Individual de Advocacia: O escritório de advocacia especializado em direito eleitoral recebeu R$ 30.000,00 para a assessoria jurídica e acompanhamento do registro da candidatura.
  • ISP Soluções Contábeis Ltda: A empresa de contabilidade recebeu R$ 30.000,00 para a gestão fiscal e entrega da prestação de contas obrigatória à Justiça Eleitoral.

O contraste entre a narrativa pública de escassez e o montante financeiro administrado gerou debates entre eleitores. No entanto, arrecadar recursos e gastar apenas parte do montante, por si só, não configura irregularidade.

Mas, a legislação eleitoral estabelece regras para o registro e a comprovação das receitas e despesas na prestação de contas. Eventuais recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) não utilizados devem ser devolvidos ao Tesouro Nacional, enquanto outras sobras financeiras seguem regras específicas conforme a origem dos recursos.

O BNews entrou em contato com a Menina da Bota e o União Brasil. Em caso de respostas, a matéria será atualizada.

Fonte: BNews


 

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