De líder grevista a deputado do PL, Prisco retorna à AL-BA com agenda conservadora e defesa da segurança pública

Foto: Reprodução / Instagram @soldadoprisco

A trajetória política de Marco Prisco Caldas Machado, conhecido como Soldado Prisco (PL), começou nas mobilizações de policiais militares da Bahia e foi marcada por greves, demissão da corporação e prisão. Eleito deputado estadual com 50.235 votos na disputa de 2026, o parlamentar retorna à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em 2027, após dois mandatos na Casa, com um discurso de defesa da segurança pública e de oposição à esquerda.

A atuação política de Prisco ganhou projeção durante o movimento reivindicatório da Polícia Militar (PM-BA) em 2001. Na época, ele participou da liderança da mobilização por demandas da categoria e foi demitido da corporação em 9 de janeiro de 2002, durante o governo de César Borges (PFL). Nos anos seguintes, também esteve envolvido em movimentos grevistas em outros estados e liderou a greve da PM baiana de 2012.

Em entrevista ao Bahia Notícias, Prisco afirmou que sua posição política não mudou ao longo dos anos, apesar de ter passado por partidos como PTC, PSDB, PPS, PSC e União Brasil antes de chegar ao PL. Para ele, a mudança ocorreu no campo da esquerda, e não em sua própria trajetória ideológica.

“Eu me considero um conservador. Eu tenho uma coerência ideológica que ela nunca mudou. A esquerda que mudou. Eu não acredito em ninguém dessa esquerda hoje que tem na Bahia, nem no Brasil. Encampou o lema da corrupção, dos escândalos, mudou totalmente seu perfil, sua ideologia. E a gente não, a gente se manteve da mesma forma, não mudamos nada, continuamos da mesma forma”, declarou.

A atuação nos movimentos grevistas também teve consequências judiciais. Prisco afirmou ter ficado preso por dois anos, 11 meses e 23 dias em decorrência de sua participação nas mobilizações, em 2014, durante o governo de Rui Costa (PT). Ele classificou a prisão como arbitrária e disse que não se arrepende de ter participado das paralisações.

“Em relação às greves, eu não me arrependo em nenhuma delas que fiz. Já foi um dia a pauta da esquerda pra chegar ao poder, mas hoje a esquerda é totalmente contra todo e qualquer trabalhador. Isso é fato, existe muita hipocrisia e demagogia da parte deles, mas, na realidade, eles são contra, são perseguidores. É tanto que eu fiquei preso no governo de esquerda”, afirmou.

Em 2005, Prisco foi um dos fundadores da Associação Nacional dos Praças Policiais e Bombeiros (Anaspra). Na Bahia, também dirigiu a Associação dos Policiais e Bombeiros do Estado (Aspra-BA). Sua primeira eleição para deputado estadual ocorreu em 2014, pelo PSDB. Ele exerceu o mandato entre 2015 e 2023, após ser reeleito em 2018. Antes disso, foi vereador de Salvador, eleito em 2012.

Para o novo mandato na AL-BA, o deputado eleito aponta a segurança pública como principal preocupação e defende a valorização dos policiais militares. Ele também citou a saúde e a educação entre as áreas que pretende acompanhar, mas criticou a situação dos serviços públicos estaduais.

“A segurança pública, lógico que pra mim hoje é o pior cenário. A Bahia ostenta o Estado mais violento do Brasil em 15 anos. E aquele que faz a ponta, policial que dedica a sua vida todos os dias à população da Bahia, não é valorizado, não é enxergado como ser importante, é enxergado apenas como número. Quando um policial é assassinado, é o Estado que foi assassinado”, disse.

A partir de fevereiro de 2027, Prisco fará parte da nova composição da AL-BA, que terá 24 novos deputados entre os 63 parlamentares eleitos, uma renovação de 38,1% da Casa.

Fonte: Bahia Noticias, parceiro do Augusto Urgente

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