Por João Batista Ferreira
Mesmo distante dos campos de batalha europeus, a cidade de Jacobina viveu intensamente o clima da Segunda Guerra Mundial. Entre relatos, incertezas e despedidas, o cotidiano local foi profundamente marcado pelas notícias que chegavam de longe. O jornal O Lidador, que circulou na região entre 1933 e 1943, desempenhou papel essencial ao informar a população, trazendo não apenas textos, mas também fotografias dos conflitos, reproduzidas de jornais da capital abastecidos por agências internacionais.
Durante muito tempo, nas conversas entre moradores, consolidou-se a ideia de que jacobinenses teriam combatido diretamente na guerra. No entanto, essas informações, frequentemente transmitidas de forma oral, careciam de comprovação documental. Foi a partir da consulta aos arquivos de O Lidador que se pôde esclarecer melhor esse episódio histórico, revelando que houve, sim, a convocação de jovens da cidade para integrar as forças brasileiras — os chamados “pracinhas” —, ainda que o desfecho tenha sido diferente do imaginado.
Na edição de 6 de setembro de 1942, o jornal noticiou o embarque, na Estação Ferroviária de Jacobina, de diversos jovens convocados. A cena foi marcada por lágrimas e profunda comoção: familiares e amigos se despediam sob o peso da incerteza e do medo. Entre os convocados estavam Antônio Martins Rosa, filho de Augusto Miguel Rosa; Almir Gonçalves Martins, filho de Antônio Gonçalves; Antônio Almir de Moraes, filho de Artur César de Moraes; Edson Dias Vieira, filho de Augusto Souza Vieira; Everaldo Casais e Silva, filho de Júlio Manoel da Silva; Juvêncio Hermelino dos Reis, filho de Francisco Hermelino dos Reis; José dos Santos Dourado, filho de Rogério de Castro Dourado; José Paulino da Silva, filho de Paulino José da Silva; João Colombo Gomes, filho de Antônio Colombo Gomes; Manoel do Nascimento, filho de José do Nascimento; Manoel de Figueiredo Miranda, filho de José Joaquim de Miranda; Manoel Cardoso da Rocha, filho de Paulo Soares da Rocha; Pedro Barros de Aguiar, filho de Manoel Aguiar Valença; Pedro Alves dos Santos, filho de João José dos Santos; e Raimundo Lopes da Silva, filho de Manoel Lopes da Silva.
Entretanto, ao chegarem a Salvador, esses jovens receberam a notícia que mudaria completamente o rumo de suas trajetórias: a guerra havia chegado ao fim. O alívio foi imediato — não apenas entre eles, mas sobretudo entre as famílias que permaneceram em Jacobina, aflitas diante da possibilidade de uma despedida definitiva. O retorno à cidade, antes incerto, transformou-se em um momento de celebração: na estação ferroviária, onde antes houve lágrimas, agora ecoavam vivas e manifestações de alegria. Famílias e amigos se reuniram para recebê-los, celebrando o reencontro e o fim de uma angústia coletiva.
Dessa forma, a participação de Jacobina na Segunda Guerra Mundial se revela não pela presença de seus filhos nos campos de batalha, mas pela intensidade com que a guerra foi vivida em seu cotidiano. Entre despedidas marcadas pela dor e retornos celebrados com alegria, ficou registrada na memória da cidade uma história de medo, esperança e alívio — um capítulo singular em que a guerra quase levou seus jovens, mas acabou por devolvê-los ao convívio de suas famílias.
Fonte: Jacobina 24 Horas
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