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Jovem com doença rara faz Enem em hospital e passa para Medicina em três universidades públicas Crédito: Reprodução |
Diagnosticado com uma doença rara e grave, o adolescente paraense Ítalo Cantanhede Rodrigues, 17 anos, precisou encarar os sintomas da doença e recorrer à Justiça para realizar o Enem hospitalizado. Ítalo estudava no Colégio Militar de Belém e foi diagnosticado em maio de 2025 com anemia aplásica medular severa, uma doença em que a medula óssea para de produzir células sanguíneas responsáveis pela manutenção do corpo. A família buscou tratamento em um hospital em São Paulo e, durante a internação, acionou a Justiça para garantir o direito do adolescente fazer o Enem no hospital. Agora, ele comemora o esforço: foi aprovado em medicina em três universidades públicas. As informações são do G1 Pará.
Ítalo conseguiu aprovação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Estado do Pará (Uepa). A instituição escolhida foi a Uepa, e o ingresso na turma de medicina está previsto para o segundo semestre de 2026. “Mesmo em tempos difíceis, eu conseguia estudar quando podia. [...] Deus continuou nos dando força, renovando a nossa fé a cada dia, e isso me deu esperança para continuar seguindo meus sonhos, o sonho da medicina”, diz Ítalo.
Pai de ítalo, Wagner Cantanhede diz que o filho não abriu mão de fazer o Enem mesmo com a imunidade extremamente baixa após o Transplante de Medula Óssea (TMO), que foi o tratamento indicado. Para a sorte da família, a irmã mais nova era uma doadora 100% compatível. Antes de ser submetido ao transplante, Ítalo precisou passar por sessões de quimioterapia e enfrentou períodos de isolamento e outras complicações infecciosas. Na ocasião, os médicos explicaram à família que, sem o tratamento, a condição podia ser fatal, pois o paciente ficaria vulnerável a infecções graves, hemorragias e anemia profunda.
O pai lembra que, durante o tratamento em São Paulo, foram meses de luta física e emocional, mas também de fé e união familiar. Foi um período de medo, incertezas e muitas internações, mas que não foram maiores do que a força do jovem paraense em passar no vestibular de medicina. “Um dos principais desafios dessa trajetória foi a questão da adaptação: a vida no hospital, pouco contato com amigos e familiares, uma rotina de estudos bem certa e muita preocupação com a minha saúde e com o meu futuro”, afirma o jovem.
Wagner diz que, após o transplante, a imunidade do filho ficou extremamente baixa, o que exigiu isolamento e cuidados intensivos. O jovem ainda teve que lidar com infecções oportunistas, comuns em pacientes com sistema imunológico enfraquecido. Enquanto vivia os percalços da internação, Ítalo ia extraindo aprendizados que vai levar com ele para a vida: “Do lado do paciente, eu consegui aprender muitas coisas sobre como agir nessa profissão e como eu quero ser. Vou me dedicar, tentar fazer o melhor possível para poder tratar de outras pessoas que sofreram e que estão numa situação semelhante à minha”.
Fonte: Correio 24 Horas
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