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| Quando a força reconhece a força: um instante de liderança feminina que transcendeu o Carnaval |
Há momentos que não pertencem apenas ao tempo em que acontecem, eles atravessam o instante e se tornam permanência, não pelo tamanho do gesto, mas pela densidade do significado que carregam.
No coração pulsante do Carnaval de Salvador, onde milhões de vozes se dissolvem em uma só vibração, um episódio silencioso revelou algo raro: o reconhecimento entre duas mulheres fortes, cada uma à sua maneira, o território do comando.
No alto do trio, Ivete Sangalo — uma artista que não apenas canta, mas conduz emoções coletivas como quem compreende a arquitetura invisível da alma humana — interrompeu o fluxo natural do espetáculo para realizar um gesto simples: entregar um presente a alguém no solo, para isso, buscou apoio da Polícia Militar.
Foi então que seus olhos encontraram algo que, para muitos, ainda é exceção, mas que para o futuro é destino inevitável: uma mulher no comando.
A sargento Mara Almeida, líder do pelotão, não ocupava aquele espaço como símbolo, ocupava como essência. Sua presença não era performática, era natural, sua autoridade não precisava ser anunciada, era percebida. Havia nela o equilíbrio raro entre firmeza e serenidade — O tipo de força que não se impõe, se estabelece.
Ela recebeu a missão e a executou com precisão e delicadeza. Não houve excesso, não houve ruído, apenas consciência do dever e respeito pelo instante.
E a Ivete viu.
Mas não viu apenas a farda. Viu a mulher dentro dela.
Viu a consciência.
Viu a presença.
Viu a liderança que nasce de dentro e se manifesta sem esforço.
Ao homenageá-la, Ivete fez mais do que agradecer, ela revelou sua própria natureza: a capacidade de perceber o que é essencial em meio ao caos. A sensibilidade de reconhecer grandeza onde muitos veriam apenas função; O olhar de quem compreende que existem presenças que não precisam de palco para serem grandiosas.
Há artistas que cantam. Há artistas que entretêm e, há artistas que enxergam.
Ivete sempre pertenceu à terceira categoria.
Porque enxergar é um ato de profundidade e apenas quem habita sua própria verdade, reconhece a verdade no outro.
Naquele instante, não havia hierarquia entre palco e solo, havia apenas duas mulheres conscientes de si mesmas exercendo com plenitude o lugar que conquistaram, uma conduzindo uma multidão, a outra conduzindo uma estrutura.
Ambas sustentadas por algo que não se ensina — algo que se torna.
O protagonismo feminino não se afirma no discurso, ele se revela nesses momentos silenciosos, onde a competência encontra a sensibilidade, e a autoridade encontra a humanidade.
Talvez essa seja a mais alta forma de liderança: aquela que não precisa provar nada, porque simplesmente é.
Certos gestos não terminam quando o som se dissipa, eles permanecem vibrando em uma frequência invisível tocando aqueles que ainda sabem sentir.
Porque no fim, o que realmente transforma o mundo não é o poder, é a consciência com que ele é exercido.
"Como sargento, aprendi que disciplina e coragem são valores essenciais. Mas também aprendi que a sensibilidade e a capacidade de inspirar pessoas são forças poderosas — e isso a Ivete tem de sobra. Este episódio não foi apenas um encontro; foi um momento de troca, de emoção e de reconhecimento.
Agradeço à equipe que trabalhou incansavelmente nos bastidores, aos colegas que estiveram presentes e, principalmente, à Ivete, por aceitar estar conosco e por levar sua luz, sua energia e sua verdade a todos que acompanharam essa história", SGTPM Mara Almeida.
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Fonte: Cara da Web
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| SGTPM Mara Almeida à esquerda Curso do CAS e à direita em serviço comandando o pelotão |
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Bahia

