Foragido, líder do CV fingia ser cristão e escondia drogas em igreja

Foragido, líder do CV fingia ser cristão e escondia drogas em igreja Crédito: Reprodução

Apontado como chefe do núcleo político criado para dar suporte ao Comando Vermelho (CV) no Amazonas, Allan Kleber Bezerra é acusado de se passar por evangélico para despistar as autoridades e esconder drogas dentro de uma igreja em Manaus.

As informações foram divulgadas pela Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM) após a deflagração da operação “Erga Omnes”, realizada na sexta-feira (20). Segundo as investigações, Allan utilizava vestimentas associadas ao meio religioso e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona Leste da capital amazonense, como estratégia para ocultar sua atuação criminosa.

Alerta do Comando Vermelho motoristas de aplicativo por Reprodução


De acordo com o delegado Marcelo Martins, responsável pela operação, em uma ocorrência anterior o investigado chegou a esconder drogas dentro do templo religioso. Outro alvo da investigação também residia em uma igreja evangélica. Allan não foi localizado durante o cumprimento dos mandados e é considerado foragido da Justiça.

Esquema teria movimentado R$ 70 milhões

A apuração aponta que o núcleo político da facção contava com a colaboração de servidores públicos vinculados a diferentes esferas do poder, incluindo o Tribunal de Justiça do Amazonas, a Assembleia Legislativa do Amazonas e a Polícia Militar do Amazonas.

A estimativa é de que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018. Na sexta-feira (20), foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas.

Entre os alvos estão:

Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas;

Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil;

Alcir Queiroga Teixeira Júnior;

Bruno Renato Gatinho Araújo;

Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;

Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar;

Osimar Vieira Nascimento, policial militar;

Ronilson Xisto Jordão.

Segundo a Polícia Civil, os investigados seriam responsáveis por facilitar acessos, intermediar interesses, proteger integrantes do grupo e, em alguns casos, tentar obter informações sobre investigações em andamento.

As investigações começaram após a apreensão de cerca de 500 tabletes de skunk, sete fuzis, embarcações e veículos utilizados no transporte de drogas. A partir desse material, os investigadores reconstruíram a cadeia de comando da organização criminosa.

O esquema funcionava com divisão de tarefas entre operadores logísticos, financiadores e colaboradores infiltrados no poder público. Empresas de fachada, principalmente nos setores de transporte, locação e logística, eram usadas para dar aparência legal às operações. Segundo a polícia, os dados financeiros dessas empresas não condizem com a capacidade econômica declarada.

As drogas eram adquiridas na região de fronteira com a Colômbia, levadas ao Amazonas e redistribuídas para outros estados. Veículos alugados em nome de terceiros e embarcações sem vínculo direto com os líderes eram utilizados para dificultar o rastreamento.

Além do tráfico de drogas, a investigação aponta indícios de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Os presos devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção e ocultação de patrimônio.

Fonte: Correio 24 Horas

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