Pior incêndio em décadas deixa mais de 90 mortos em Hong Kong


Um incêndio de grandes proporções consumiu um edifício residencial no distrito de Mong Kok, deixando mais de 90 mortos e dezenas de feridos, em um dos piores desastres urbanos da região em décadas. O fogo eclodiu por volta das 3h da madrugada na "Torre da Esperança", um prédio de 16 andares que abriga famílias de baixa renda e imigrantes. As chamas se propagaram rapidamente devido a materiais inflamáveis e falhas no sistema de sprinklers, atingindo vários andares em poucos minutos. Equipes de bombeiros lutaram por horas contra as labaredas, enquanto moradores desesperados tentavam escapar pela fumaça densa e escadas bloqueadas.

As vítimas incluem crianças, idosos e trabalhadores, com 92 mortes confirmadas até o momento e mais de 50 pessoas hospitalizadas em estado grave. Testemunhas descreveram cenas de caos, com alguns pulando das janelas para fugir e alarmes de incêndio que demoraram a soar, agravando a tragédia. O prédio, erguido nos anos 1970, já havia sido inspecionado por irregularidades de segurança, mas reformas pendentes permitiram sua ocupação contínua. O governo central da China mobilizou reforços de Pequim para auxiliar no resgate e na avaliação de danos estruturais.

O chefe executivo de Hong Kong, John Lee, declarou luto oficial de três dias e visitou o local na manhã desta sexta-feira, prometendo uma investigação completa para apurar responsabilidades. Ele anunciou um fundo de compensação de HK$100 milhões para as famílias afetadas e uma revisão imediata de todos os edifícios antigos semelhantes na cidade. Sobreviventes e voluntários relatam a superlotação crônica em áreas como Mong Kok, onde a infraestrutura envelhecida representa um risco constante para milhares de residentes.

O incidente reacende debates urgentes sobre segurança habitacional em Hong Kong, uma metrópole densa e pressionada por problemas de moradia acessível. Organizações internacionais de direitos humanos criticam as condições precárias e pedem reformas estruturais para prevenir futuras catástrofes. Enquanto as buscas continuam, ONGs oferecem abrigo temporário e apoio psicológico aos desabrigados, em meio a um cenário de luto que marca o maior desastre do tipo desde os anos 1980.
Fonte: AFP 

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