Solidariedade da Sorte


Jovem espancado em ônibus escolar relata o caso — Foto: Tv Bahia

O adolescente de 15 anos, que foi espancado com murros e chutes, por sete garotos, em um ônibus escolar, na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, falou, nesta quarta-feira (2), sobre a situação.

O jovem e os agressores são moradores do bairro São Vicente, em Camaçari. O adolescente revelou que essa não foi a primeira que sofreu agressões no transporte escolar. Ele disse que também é vítima de ameaças pelas redes sociais.

"Eles não querem aceitar as pessoas do jeito que elas são. Não querem conviver com pessoas que não são do mesmo gênero. Aí ficavam falando: ‘saí daqui, veado da desgraça’. Não respeitaram a monitora, que estava no ônibus. Não respeitam ninguém. Isso me deixa com medo de fazerem de novo comigo. Já aconteceu outras vezes. Fazem muitas ameaças, pelas redes sociais", disse.

O estudante disse que após as agressões ocorridas na última sexta-feira (25) decidiu pedir que sua mãe tomasse providências. Ele pediu respeito.

“Sofro calado porque não tenho coragem de desabafar com minha mãe, mas, dessa vez, passou dos limites e precisei falar para que ela tomasse providências. Só quero que me deixem em paz. Por favor, me deixem em paz. Nunca fiz nada para vocês. Só quero que me deem respeito, como eu dou a vocês”, disse.

O adolescente ainda pediu segurança. Ele diz que teme por sua vida, mas afirma que precisa pegar o transporte para estudar.

Adolescente de 15 anos sofre homofobia e é espancado por colegas em ônibus na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

“Voltar para minha escola é o que eu mais quero. Estou no 1º ano do ensino médio, no curso de segurança do trabalho, estudando para ter uma profissão e uma vida melhor. Não posso deixar de estudar por causa desses agressores. Quero segurança. Ninguém sabe o que pode acontecer comigo lá na frente. Peço proteção por minha vida. Preciso pegar o (transporte) escolar para estudar. É difícil. Só a gente sabe como o psicológico da gente fica”, contou o jovem.

“Não relatei antes por medo. É uma situação muito difícil. Medo de ameaças. Pelas minhas redes sociais mandam foto de arma. Por esse medo eu não denunciei. Minha família me respeita, está do meu lado, me apoia. Mas o medo é de fazerem alguma coisa comigo”, conta.

A delegada responsável pelas investigações, Thaís Siqueira, diz que os suspeitos já foram identificados, mas como são menores, a ocorrência é registrada como ato infracional. Caso as investigações confirmem que se trata de um crime de homofobia, o ato pode ser tipificado como crime de racismo, além de lesão corporal.

“A mãe disse que não procurou a delegacia antes por receio. Está sendo instaurado um boletim de ato infracional porque todos infratores são menores, e já identificados. Serão realizadas oitivas, na presença dos pais. Se ficar comprovado que (as agressões) foram em razão do gênero, aí vai ser enquadrado na lei de racismo. A vítima vai ser submetida a exame de corpo de delito”, contou a policial.

Também nesta quarta-feira (2), a mãe do jovem, Mara Santana, contou que o filho está bastante abalado.

“Ele está muito abalado, o psicológico não está bem. Está muito triste e cada hora que vê a cena, chora. Ele não aguenta mais e ontem mesmo teve muita dor de cabeça. Hoje vamos levá-lo para o Hospital Geral de Camaçari, para fazer uma tomografia, porque não sabemos o que está acontecendo. A secretária de Educação e a diretora vão nos conduzir", contou a mãe.

A mãe da vítima conta que não sabia que o filho era vítima de homofobia e intimidações até a situação acontecer, e também afirmou que ainda não foi procurada pelos familiares dos agressores.

“Ele relatou que sofre bullying e não é de agora. Eu não sabia. Se eu soubesse, já tinha tomado uma providência. Acho que ele não falou por medo. Estou muito triste".

Fonte: g1 Bahia

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