Solidariedade da Sorte

Priscila Lima Silva, de 32 anos, procurou a Delegacia da Mulher de Peruíbe para denunciar assédio sexual do chefe na diretoria de saúde de Pedro de ToledoImagem: Arquivo Pessoal

A enfermeira Priscila Lima Silva, 32, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Peruíbe (SP), contra o diretor de Saúde do município de Pedro de Toledo (SP), Ranulfo Pereira, afirmando ter sido vítima de violação sexual mediante fraude e assédio sexual. Ela teve a nomeação publicada e revogada para um cargo na saúde do município em um período de apenas dois dias. O gestor em questão nega as acusações e se diz vítima de uma armação política.

Priscila diz que, logo após ser nomeada para o cargo de coordenadora de saúde da família do município, teria sido chamada por Pereira para entrar em uma sala enquanto trabalhava em um pronto-socorro da cidade. Segundo ela relatou ao UOL, ela o teria encontrado com as calças abaixadas e ele teria solicitado relação sexual por causa do que ele teria classificado de "regras da casa''.

Ela diz que cedeu às ordens para manter o emprego, mas acabou demitida horas depois. A profissional registrou queixa contra o superior na Polícia Civil. Por meio de nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que foi instaurado inquérito policial para apurar os crimes de violação sexual mediante fraude e assédio sexual. A investigação tramita em segredo de Justiça.

Do Paraguai a Peruíbe.

Priscila contou ao UOL que, antes de ir morar em Peruíbe, ela vivia com a filha, de 7 anos, na cidade de Assunção, no Paraguai, onde frequentava o último ano de medicina e já atuava como residente em um hospital paraguaio. Ela é ex-esposa de um médico que atuava no Litoral e no Vale do Ribeira, em São Paulo, assassinado em junho do ano passado. As despesas dela e da filha eram pagas por ele, cujos bens ficaram inacessíveis durante um inventário.

Dependente apenas da pensão do ex-marido, ela e a filha voltaram ao Brasil e Priscila precisou buscar emprego. Após alguns meses atuando como freelancer em Caraguatatuba (SP), ela aproveitou uma interação em uma postagem sobre pitbulls, feita pelo prefeito de Pedro de Toledo, Eleazar Muniz, para pedir um emprego.

"Como eu gosto muito de animais e tinha experiência na criação dessa raça, começamos a conversar sobre esse assunto e, num dado momento, eu vi uma oportunidade de pedir trabalho a ele. Ele foi muito atencioso e me passou o contato do Ranulfo", afirma Priscila.

A profissional diz que as trocas de mensagens com o diretor de saúde foram se tornando cada vez mais íntimas; diretor admite mensagens, mas diz que conversa "foi cortada" Imagem: Arquivo

Ela conta que então adicionou o diretor de saúde do município em sua lista de contatos no WhatsApp e que, à medida que trocavam mensagens, os assuntos foram se tornando cada vez mais pessoais e íntimos. "A verdade é que foi recíproco no início. Eu achava que aquilo era só uma brincadeira e que nunca ia passar disso", admite.

No primeiro dia de trabalho, ainda sem nomeação no Diário Oficial, o gestor a teria chamado em uma salinha no hospital "com um sinal de cabeça" e então teria dito que aquele era o sinal que ela teria que atender dali por diante, além de tê-la chamada para um ato sexual.
Ele disse que eram as 'regras da casa' e que estava me dando as 'boas-vindas'. Eu estava sem dinheiro, recém-chegada ao País, morando numa cidade em que não conhecia quase ninguém. Acabei cedendo. Me arrependi depois, fui para casa me sentindo muito mal. A troca de mensagens continuou, mas eu achei que fisicamente aquela seria a primeira e última vez. Mas não foi o que ocorreu.
Depois de alguns dias trabalhando na unidade de saúde e já com a documentação pronta para a contratação, ela conta que Pereira, após viagem a Brasília, fez sinal com a cabeça novamente ao avistá-la e, então, ela teria recusado. A enfermeira foi então nomeada para o cargo, no dia 16 de fevereiro, e teve a nomeação revogada dois dias depois, em 18 de fevereiro.

Diretor de saúde alega "armação política".

Com exclusividade para o UOL, o diretor de saúde Ranulfo Pereira afirmou que a versão narrada por Priscila não condiz com a realidade. "As versões que a Priscila apresenta, a cada dia são mais pesadas e fantasiosas e a cada dia busca aumentar o tamanho do escândalo que ela busca criar. Tenho plena convicção que a mesma foi cooptada pela oposição política e busca forjar uma situação que não existe".

Pereira afirma que, quando tiveram início as trocas de mensagens entre ele e Priscila, num dado momento ela teria começado a se oferecer sexualmente, chegando a enviar pelo WhatsApp fotos, vídeos e fazendo videochamadas com conteúdo erótico explícito, inclusive com convites.

"Estas conversas surgiram anteriormente à sua contratação (16 de fevereiro), cerca de uma semana antes", declarou o diretor. "É importante registrar que existiu uma entrevista anterior, dela e de mais duas pessoas, no mês de dezembro de 2021. Quando de sua contratação, a Priscila já estava há alguns dias se ambientando com o local de trabalho, setor, funcionários, rotina".

Pereira refuta as acusações de que teria dado as boas-vindas à profissional em uma sala reservada.
Isso é mentira. Todos no departamento podem comprovar que esta prática não existe, que ela não foi recepcionada desta forma e que eu mantenho uma postura de respeito com todos e todas que trabalham no departamento, especialmente no local de trabalho, que, diga-se, é monitorado por câmeras.
Pereira afirma que houve um atraso na publicação da portaria de convocação da profissional, pois Priscila teria apresentado RGs diferentes, de estados diferentes, que ela teria justificado dizendo que se mudava constantemente por ser filha de militar. "Houve também questionamento sobre sua formação, seu certificado. Quando pedi o diploma, ela disse que demoraria algo em torno de 3 a 4 meses para conseguir uma segunda via, pois havia sido extraviado".

Segundo o diretor, a revogação da nomeação da servidora teria ocorrido por causa de suposto comportamento inadequado, que teria gravado vídeos em suas redes sociais falando em nome do Departamento de Saúde, motivo pelo qual ela teria .

Por fim, Pereira afirma que o seu celular estará à disposição da Policia Civil e da Justiça, com a íntegra das conversas. "A mentira de que foi assediada ou de que queria manter seu emprego não se sustentará com a exposição de todas as provas em sede de inquérito policial ou da Justiça", afirma.

Questionado pelo UOL sobre a troca de mensagens e o engajamento em conversas íntimas com a então subordinada, o diretor de saúde Ranulfo Pereira não nega que ter participado do diálogo denunciado pela enfermeira, mas justifica que "foi ela quem começou com as insinuações sexuais".

Fonte: Uol.

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