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     Estabelecimentos comerciais são derrubados na orla de Porto Seguro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cabanas, barracas de praia e outros estabelecimentos comerciais que pertencem a indígenas foram derrubados na orla de Porto Seguro, no sul da Bahia, na manhã desta terça-feira (31). As pessoas responsáveis pelos pontos comerciais disseram que a Polícia Militar agiu com racismo contra eles e agrediu um cacique líder do grupo. Segundo eles, imóveis no local que são de pessoas não indígenas não foram derrubadas.

“É uma ação de racismo com os povos indígenas. Porque existem ao lado barracas de não indígenas e elas não foram sequer tocadas pelos policiais. O alvo foi somente os povos indígenas. Chegaram aqui com truculência, agrediram um cacique e um jovem da nossa comunidade”, falou Thyara Pataxó, representante dos comerciantes no local.

                Cerca de 250 indígenas ocupam a BR-367 — Foto: Thyara Pataxó

Por causa disso, o grupo iniciou uma manifestação que interditou parte da BR-367. O grupo utiliza pedras, madeiras para bloquear a pista, e alguns manifestantes chegaram a se sentar na via.

Segundo Thyara, até por volta das 16h40 desta terça, a via permanecia interditada nos dois sentidos. Cerca de 250 pessoas estão no local. De acordo com a indígena, não houve novos confrontos no período da tarde e a Polícia Militar ainda está no local.

Ainda de acordo com Thyara Pataxó, o prefeito havia anunciado pelas redes sociais que determinaria a ação, mas não notificou os indígenas formalmente. Na manhã desta terça, as equipes chegaram com o maquinário e iniciaram a derrubada.

“Começaram derrubando de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Uma ação deliberada pelo prefeito Jânio Natal, que notificou pelas redes sociais que iria fazer essa ação, mas não notificou nossos caciques e lideranças. Hoje cumpriram que iriam tirar os indígenas da beira da pista”, disse Thyara.

A prefeitura de Porto Seguro informou que a ação realizada em áreas às margens da BR-367 é propositiva do Ministério Público Federal (MPF) com acompanhamento Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A prefeitura disse ainda que foi apenas convidada a dar apoio logístico à operação de remoção das áreas, que segundo o MPF, foram ocupadas de forma irregular.

Apesar da informação da prefeitura, o MPF nega. Por meio de nota, o órgão informou conduz procedimento, em fase inicial de instrução, para apurar infrações decorrentes do avanço de construções irregulares em áreas tombadas da União, na Praia do Mutá.

Conforme disse o MPF, as infrações foram denunciadas em nota técnica enviada pelo Iphan. Apesar da condução do procedimento, o órgão esclareceu que não tem relação ou participação nos atos de demolição de construções na área litorânea de Ponta Grande, às margens da BR-367, em Porto Seguro.

Ainda segundo o MPT, para dar seguimento a essa apuração, na manhã desta terça foi agendada uma operação, realizada pela Polícia Federal, com o apoio da Polícia Militar da Bahia, visando à identificação dos responsáveis pelas construções, que impactariam a composição paisagística tombada da Orla Norte de Porto Seguro. Entretanto, a referida operação consiste em levantamento de informações para a investigação, não se relacionando com qualquer ação de demolição ou similar.

O G1 entrou em contato com a Polícia Militar para obter posicionamento, mas não foi respondido até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1 Bahia 

       Estabelecimentos comerciais são derrubados na orla de Porto Seguro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Grupo indígena bloqueia trecho da BR-367, no sul da Bahia, em protesto contra derrubada de imóveis — Foto: Reprodução/Redes Sociais

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