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Esther Vasconcelos diz que é perseguida e ameaçada pelo suspeito desde 2017 — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

A Justiça concedeu, nesta quarta-feira (28), uma medida protetiva para a jovem que denunciou o vizinho por ameaça e injúria racial na cidade de Itabuna, no sul da Bahia. A mãe dela, que foi agredida pelo suspeito ao tentar proteger a filha em uma discussão, também está sob a medida.

O pedido das medidas protetivas foi feito pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do município e deferido pelo juiz Murilo Staut.

Ainda nesta quarta-feira, o suspeito, Ubiratahn Santos, foi ouvido pela polícia e negou todas as acuações. A policia não detalhou, no entanto, se o homem foi liberado ou permaneceu na unidade policial após o depoimento.

"Ele respondeu todas as perguntas que lhe foram feitas dentro das acusações feitas pela vítima. Ele respondeu tudo e o procedimento já está praticamente encerrado", disse a delegada Ivete Oliveira Albano.

Caso 

Esther Vasconcelos, 19, relatou que a situação começou há quatro anos, quando ela ainda tinha 15. Os casos se intensificaram depois que ela casou com um outro homem. Ela disse que o suspeito, identificado como Ubiratahn Santos, assediou ela de maneira bruta, e recebeu uma negativa.

Quando Esther, que é negra, começou a se relacionar com o companheiro, que é branco, o suspeito passou a proferir injúrias, dizendo que ela era racista por não ter casado com um homem também de pele preta.

“Tudo iniciou em 2017. Eu tinha que passar pela ponte, voltar do trabalho, e ele pediu para ficar comigo. Puxou meu braço e eu mandei ele se respeitar. Eu tinha 15 anos na época. Tudo se intensificou em 2019 quando eu comecei a namorar o meu atual esposo. Foi quando ele disse que eu era racista, por estar com uma pessoa branca e não com um negro. A partir daquele dia que ele começou a me perseguir. Eu andava com meu esposo, ele ameaça de estupro e de morte”, disse a jovem.

Desde então, Esther passou a sair de casa com menos frequência e precisou deixar o trabalho. Ela já registrou várias ocorrências na delegacia e disse ter juntado aos boletins outras informações de ameaças e ofensas feitas pela internet.

Segundo Esther, Ubiratahn utiliza também as redes sociais para cometer os crimes e chegou a fazer montagens com fotos do casamento dela acusando de racismo por ter casado com um homem branco.

Agressão à mãe da vítima

Ubiratahn Santos, de jaleco branco, agride a mãe de Esther durante discussão em Itabuna — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

A mãe de Esther, Elessandra Vasconcelos, viu o homem cercando a jovem na rua e se aproximou para defende-la. Na discussão, Ubiratahn agrediu a mulher e causou ferimentos na boa e cotovelo.

A jovem contou que ele estava trabalhando no momento da confusão e gritou ameaças contra ela, quando a mãe interferiu e acabou sendo agredida.

“Ele veio atravessando a rua dizendo que meus dias estavam contados. Ele estava de jaleco, vendendo espetinho [de churrasco] ali na praça. Então minha mãe imaginou que ele estivesse com faca ou algo do tipo. Ele foi atravessando, gritando, e minha mãe imaginou que ele iria fazer algo comigo e entrou no caminho”, contou Esther.

A Ronda Maria da Penha esteve no local para controlar a agressão, mas o suspeito fugiu. A mãe de Esther teve ferimentos no corpo. Para ela, pior que a dor física, são as situações de perseguição que se prolongam durante os cinco anos.

“Ele já cuspiu nela, já empurrou, já deu tapa no braço dela. São muitas coisas que vêm acontecendo. Então a gente vive refém. Cadê o nosso direito e ir e vir?”, indagou Elessandra.

Inquérito policial

Somente na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Itabuna, quatro boletins foram registrados. Destes, três foram transformados em Termo Circunstanciado – quando trata de crimes leves.

A delegada Ivete Oliveira informou que um deles se trata da “Lei de Stalking”, que é definido como perseguição reiterada, por qualquer meio, como a internet (cyberstalking), que ameaça a integridade física e psicológica de alguém, interferindo na liberdade e na privacidade da vítima.

Um inquérito policial foi instaurado no dia 19 de abril e encaminhado à Vara Crime de Itabuna. Outra delegada que atua no caso, Ivete Oliveira, disse que ele poderia ser preso em flagrante caso fosse conduzido à unidade.

No entanto, as equipes permanecem em investigação e irá intimar Ubirathan para prestar esclarecimento.

“Se ele fosse conduzido para cá logo após o fato, poderia ser preso em flagrante. Mas como se trata de um registro de um inquérito regular, não cabe a prisão no momento. Estamos diligenciando para intimá-lo para que ele possa ser ouvido em termo de interrogatório. É a única coisa q falta para a conclusão de procedimento”, finalizou a delegada.

Fonte: G1 Bahia

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