'Vi meu filho caído', relata pai de criança indígena morta na porta de casa no sul da Bahia

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Foi enterrada nesta terça-feira (25) a criança indígena de 4 anos morta na porta de casa, na noite de domingo (22), em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia. O pedreiro Lucas Oliveira, pai do menino, que se chamava Samuel David Carvalho de Oliveira, relatou como tudo aconteceu.


"Eu ia sair, e ele pediu para eu o levar. Aí eu peguei uma blusa na cerca aqui do lado e coloquei nele. Daí eu comecei a conversar com dois colegas aqui do lado de fora e, quando olhei para o lado, veio um rapaz e apontou a arma para gente. Quando olhei para o rosto e vi que não conhecia, e o vi com a arma na mão, eu corri, dei as costas e ele começou a atirar. Quando entrei [em casa], lembrei que meu filho estava comigo e, quando voltei, vi meu filho caído aqui do lado", relatou Lucas.

Além da criança, dois adultos, de 21 e 23 anos foram atingidos, mas não correm risco de morte.

"A ordem natural das coisas é o filho enterrar o pai, e hoje em dia está sendo diferente, está sendo ao contrário, pai enterrando filho. Uma criança de 4 anos, que nunca fez mal a ninguém", disse Lucas.

O suspeito de matar a criança, Moisés Maia Santos, que também é indígena, está preso em Eunápolis. Ele foi encontrado pela Polícia Civil na casa do pai nesta terça-feira. Ele é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e roubos. "Ele nega o crime, disse que estava em casa, mas ele foi visto por muitas pessoas e os sobreviventes reconhecem ele como autor do crime. Dizem que Moisés queria se apropriar de umas terras pertencentes a Lucas, mas ainda não sei se essa história é verídica", explicou o delegado que investiga o caso, Bruno Barreto.

Por conta da morte do menino, indígenas de duas aldeias da região fizeram uma manifestação em um trecho da BR-367, na altura do distrito de Coroa Vermelha, de 8h até 20h de segunda-feira (23).

Fonte: G1/Bahia

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