Justiça revoga prisão de engenheiro acusado de planejar sequestro no Rio

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Justiça revogou a prisão do engenheiro Nilton Alves Moreira Junior, 24 anos, que foi preso em flagrante com a namorada acusado de extorsão mediante sequestro de um empresário no Rio de Janeiro. A juíza Daniella Alvarez Prado, da 35ª Vara Criminal, acolheu argumentos da defesa de que Nilton precisa de cuidados médicos diferenciados por conta de uma cirurgia bariátrica pela qual passou. A informação é do G1 RJ.

“Por conta da peculiaridade do caso de saúde do réu, não será possível o acesso e a entrega no sistema prisional de toda a estrutura e procedimentos necessários para a manutenção do seu estado de saúde durante todo o decorrer da instrução criminal”, justifica a juíza na decisão.

O advogado de Nilton, Rafael Faria, comemorou a decisão e disse que o cliente não poderia ficar mais preso por nenhum dia para preservar sua vida."Emagreceu mais de 100kg nos últimos meses. Preso poderia vir a óbito", afirma.
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A decisão ressalta que Nilton tem residência fixa e vai entregar o passaporte em juízo, além de comparecer a todas as audiências do processo. Também foi considerado o fato dele ser réu primário. Ele não pode sair do Rio por mais de dez dias sem autorização judicial e não pode entrar em contato com as vítimas do crime pelo qual é acusado.

A liberdade da namorada do rapaz, Leanny Taceane da Conceição Renores, 25 anos, foi negada pela mesma juíza. A jovem é acusada de ser a mentora do crime. A defesa alega que Leanny tem problemas psiquiatricos e pede que ela tenha cuidados especiais para evitar uma tentativa de suicídio.

"A juíza não aceitou a argumentação e afirma que a suspeita pode receber o tratamento na cadeia, considerando os laudos médicos e as prescrições medicamentosas, tem-se como possível, após exame médico na unidade prisional, ser ministrada a acusada a medicação correta e indicada a seu quadro clínico".

A investigação aponta que Leanny levava uma vida dupla. Ela conheceu Nilton há cerca de um ano. Segundo o Extra, na época o rapaz era obeso, pesando 180 kg. Os amigos acreditavam que a jovem queria se aproveitar da relação com Nilton. O namoro seguiu e o rapaz, que é engenheiro e filho de um ex-funcionário da Cedae, fez cirurgia bariátrica e perdeu vários quilos. Os dois apareciam em fotos nas redes sociais sempre em viagens, aparentando felicidade. Leanny ostentava presentes caros que ganhava do namorado. "A impressão que dá é que ele fazia todos os gostos dela para não perdê-la. E como tinha a cabeça fraca acabou concordando até em prejudicar um amigo por ela. Mas tudo será investigado. Queremos saber quando começou esse planejamento e se tem mais envolvidos", explica o delegado Marcelo Carregosa, da 5ª DP do Rio de Janeiro, ao Uol.

Crime
Alexis Beghini de Carvalho, 27, que foi sequestrado com José Alexis Beghini de Carvalho, 59, seu pai, e a namorada, era amigo de Nilton e diz que o engenheiro estava cada vez mais estranho. Os dois se conheceram quando Nilton morou em São Paulo e perderam um pouco do contato após a mudança deste para o Rio.

Recentemente, Nilton e Leanny foram a São Paulo e visitaram Alexis. O casal convidou o amigo para ir ao Rio. Alexis conta que tentava saber mais sobre Leanny com o engenheiro , mas ele era sempre evasivo. "O trabalho de Leanny era uma incógnita para todo mundo. Ela dizia que trabalhava, mas vivia viajando com Nilton. Nós, os amigos mais próximos dele, estávamos sempre perguntando o que ela fazia da vida, mas ele sempre fugia do assunto. Dizíamos para ele abrir o olho, que ela só queria o dinheiro dele. Ela vivia aparecendo com presentes que ele dava", diz. Nilton chegou a pedir R$ 5 mil a Alexis e o mesmo valor emprestado a outro amigo, afirmando que o pai estava viajando e precisava resolver um problema.

No mês passado, Alexis, a namorada e o pai foram para o Rio. Eles foram jantar com Nilton e Leanny em Jacarepaguá, onde a jovem moraria. Na saída, depois de uma noite agradável, a família Beghini foi rendida por dois bandidos armados - um deles era Leonny Luís Renores, irmão de Leanny. Para não levantar suspeitas, Leanny e Nilton também foram rendidos.

Todos foram levados dentro de um carro. Os bandidos queriam R$ 300 mil para soltar o grupo. Em Santo Cristo, no entanto, policiais pararam o veículo e desconfiaram da situação. Houve troca de tiros e os dois bandidos foram baleados e morreram no hospital para onde foram socorridos.

Na delegacia, Leanny se desesperou ao saber da morte dos dois sequestradores. A polícia então checou os documentos dela e descobriu que ela era irmã de Leonny. Passaram então a desconfiar que ela poderia ter ligação com o crime, o que a investigação acabou comprovando. Para a polícia, Nilton foi envolvido na situação pela namorada. "Os depoimentos das testemunhas e tudo o que apuramos até agora, inclusive pela internet, nos leva a acreditar que o Nilton foi induzido a praticar o crime por ela. Pudemos apurar uma submissão dele em relação a ela", disse o delegado Carregosa.

Alexis, que já havia sido sequestrado em outra ocasião, diz que viveu momentos de pânico. "Pensei que nunca mais fosse viver momentos tão aterrorizantes como aqueles. Meu sentimento é de revolta por ter sido enganado. Mas vou me tranquilizar porque tenho certeza de que eles vão ficar presos por um bom tempo. Quero que ele (o amigo) pense no motivo de ter feito aquilo. E, quanto à ela, quero que passe muito tempo na cadeia", disse ele ao Extra. O pai dele também relembrou a experiência traumática. "Quando abrimos as portas, um homem armado nos rendeu dizendo 'perdeu, perdeu, entrem no carro'. Foram cinco pessoas atrás. Meu filho, com mais de 1,80m, foi no meu colo. Ao meu lado, a namorada do Alexis com Leanny em seu colo. Ao lado delas, um bandido armado. Na frente, Nilton ao volante e outro bandido armado no banco do carona. Mandaram seguir para a Linha Amarela. A todo instante, o que estava na frente dava tapas no rosto e na cabeça do meu filho. Nos ameaçavam de morte', conta. Antes, durante o jantar, Leanny tinha tirado uma selfie com todos da mesa.

Na segunda (28), a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros manteve a prisão preventiva do casal. "No que diz respeito à manutenção da prisão preventiva, entende esta magistrada que a mesma se demonstra necessária e proporcional, devendo ser destacado que os fatos são extremamente graves, já que as vítimas ficaram em poder dos sequestradores por cerca de uma hora, sendo ameaçadas, tendo sido feito uso de arma de fogo além de violência física real", diz a decisão.
Fonte: Correio 24h.

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