Alerta: Ameaças da Coreia do Norte levam ONU realizar reunião de emergência

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os Estados Unidos e seus aliados europeus e japoneses anunciaram nesta segunda-feira que negociam outra série de sanções da ONU contra a Coreia do Norte, embora a posição de Pequim e Moscou, ambos com direito de veto, seja incerta. O oitavo pacote de medidas deve ser submetido a votação do Conselho de Segurança no dia 11 de setembro, segundo a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley.

É necessário que a ONU tome "as medidas mais fortes possíveis", declarou durante a sessão de emergência do corpo executivo da organização, no dia seguinte de um sexto teste nuclear norte-coreano. O clima é particularmente tenso, depois que Pyongyang desafiou resoluções da ONU ao realizar neste domingo um teste com uma bomba de hidrogênio de uma potência sem precedentes e, ao que tudo indica, se preparar para outro lançamento de míssil balístico.

A bomba é cinco vezes mais potente que a do teste anterior realizado pela Coreia do Norte e três vezes mais do que a lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima em 1945, segundo dirigentes sul-coreanos. "Já é muito", disse Haley, que acusou o líder norte-coreano Kim Jong-Un de "suplicar por uma guerra".

"A guerra não é algo que os Estados Unidos queiram. Não a queremos agora, mas a paciência de nosso país não é ilimitada", advertiu. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente americano, Donald Trump, expressaram durante conversa telefônica nesta segunda-feira sua vontade de que a ONU adote novas sanções.
Ambos os dirigentes "compartilham a ideia de que a comunidade internacional deve aumentar a pressão sobre o regime norte-coreano e que o Conselho de Segurança da ONU deve adotar rapidamente novas sanções mais duras", afirmou o porta-voz da chancelaria, Steffen Seibert, em comunicado. "Não podemos perder mais tempo", disse o embaixador japonês Koro Bessho a jornalistas antes da reunião pedida por Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Japão e Coreia do Sul.

"Precisamos que a Coreia do Norte sinta a pressão; que se seguir por esse caminho haverá consequências", acrescentou. "Devemos trabalhar juntos para uma nova resolução". A Coreia do Norte colocou o Japão em estado de alerta ao disparar na semana passada um míssil de médio alcance que sobrevoou seu território. O embaixador francês, François Delattre, destacou que "a ameaça passou de ser regional a global", tornado necessária a atuação do Conselho.

- China e Rússia favorecem negociação -

Moscou e Pequim condenaram a detonação nuclear, mas sua posição em relação ao projeto de sanções era incerta. O embaixador chinês na ONU, Liu Jieyi, disse no Conselho que "o tema da península deve ser resolvido pacificamente. A China nunca permitirá o caos e a guerra na península". "Graças ao diálogo, poderemos conseguir a desnuclearização da península coreana", afirmou.

"Veremos o que há no projeto de resolução", declarou depois da reunião o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia. Mas "as sanções por si só não ajudarão a encontrar uma solução e não estou certo de que influenciarão a outra parte". A representante americana não explicou que tipo de medidas Washington estuda, mas diplomatas disseram que poderiam ser contra os insumos petrolíferos da Coreia do Norte, o turismo e as receitas em divisas de trabalhadores enviados ao exterior, principalmente para Rússia e China. Um rascunho da resolução deve ser apresentado aos membros do Conselho Permanente nesta terça-feira.

- Resposta militar maciça -

A condenação internacional ao teste nuclear se estendeu ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que denunciou um ato "profundamente desestabilizador" para a segurança regional. Os Estados Unidos advertiram no domingo sobre o lançamento de uma "resposta militar maciça" caso a Coreia do Norte ameace seu território ou seus aliados. O secretário de Defesa, Jim Mattis, ressaltou que Washington não buscará "a aniquilação total" do país.

Em conversa telefônica com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, Trump garantiu que os Estados Unidos estão prontos para usar sua "capacidade nuclear disponível" se Pyongyang continuar ameaçando seu território e seus aliados, informou a Casa Branca na noite de domingo. O presidente também disse que os Estados Unidos consideram deter o comércio com "todo país que faça negócios com a Coreia do Norte".

- Exercícios sul-coreanos -

Diante do novo desafio à comunidade internacional lançado por Pyongyang, Seul e Washington anunciaram que deslocamento na Coreia do Sul de uma nova série de lança-mísseis Thaad (Terminal High-Altitude Area Defense), o escudo americano que provoca a fúria de Pequim. Seul lançou nesta segunda-feira um exercício com mísseis balísticos "de tipo Hyunmoo e aviões caça F-15K", conforme indicou a agência de notícias estatal Yonhap.

As Forças Armadas sul-coreanas indicaram que o alcance dos alvos simulados foi equivalente à distância do local de testes nucleares norte-coreano Punggye-ri no nordeste do país. A imprensa em Seul reclama que o governo que não adote suas próprias armas nucleares, questionando a eficácia da aliança com Washington, resultante de um acordo estabelecido há décadas para proteger a Coreia do Sul. AFP

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