Tragédia em Mar Grande: enquanto todo mundo investiga, ninguém é responsável

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Tragédia em Mar Grande: enquanto todo mundo investiga, ninguém é responsávelO protesto de moradores da Ilha de Itaparica, ainda na segunda-feira (28) quando a Agerba autorizou o retorno das atividades comerciais da travessia Mar Grande – Salvador, foi simbólico. Foi o luto de um povo diante da vida de 19 pessoas que padeceram de uma ida sem volta na Baía de Todos-os-Santos. No dia seguinte, todavia, a mesma travessia que ceifou 19 vidas voltou a funcionar e, enquanto as responsabilidades são jogadas de um lado a outro pelos órgãos públicos, outras vidas ficaram sob risco. Amanhã completa uma semana do acidente e, desde então, os agentes políticos tentaram surfar numa tragédia causada, segundo os sobreviventes, por ondas. Em Salvador, vereadores da base aliada de ACM Neto (DEM) ensaiaram uma Comissão Especial de Inquérito. Em Vera Cruz, o pleito já foi atendido e os vereadores locais integram uma CPI para “investigar” as razões do acidente. Na Assembleia Legislativa, a oposição ao governador Rui Costa (PT) cobra explicações da Agerba sobre o incidente. Enquanto isso, o diretor do órgão, em entrevista à imprensa, prefere se calar ao invés de comentar que a fiscalização, se existe, está longe de ser a ideal. O prefeito de Vera Cruz, Vinícius (PMDB), bradou que essa fiscalização sequer existe. 
O vice dele, Coité (PP), disse ter desistido de última hora de embarcar na lancha Cavalo Marinho I e, por sorte do destino, não estava no barco que naufragou. Apesar de imbuídos com boas intenções, nenhuma das autoridades citadas aqui, sejam os digníssimos vereadores de Vera Cruz ou de Salvador, os prefeitos de Vera Cruz e Salvador ou o governador – que aqui não podem ser culpados nominalmente, pois a crítica vai também aos antecessores – não fizeram qualquer mobilização que fosse para evitar que o acidente acontecesse – e olha que a tragédia era anunciada há muito mais tempo do que a idade das três crianças mortas somadas. E a solução citada, a ponte Salvador – Itaparica, uma promessa dos tempos de Jaques Wagner, não saiu do papel e, até o momento, está mais parecida com uma fábula contada pelo “bonitão” vice-governador, João Leão, do que com um projeto palpável. E olha que, diante da crise econômica vivenciada no Brasil, o governo resolveu apostar na China como um parceiro para o projeto, com direito a uma visita de Rui Costa aos futuros investidores nos próximos dias. Mesmo que a ponte se torne real, vai demorar muito para que a população tenha a opção que teve o vice-prefeito, de não embarcar. Até lá, resta aguardar que a mobilização a partir do acidente surta algum efeito. Este trecho integra o comentário desta quarta-feira (30) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM. BN

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