'Matou um pintor como eu', diz pai de jovem que confessou ter matado passageiro em assalto

terça-feira, 18 de julho de 2017

"Quando meu pai ficou sabendo do crime, ele me disse: 'você matou um trabalhador, um pintor como eu'", disse Lucas Mateus dos Santos Costa, 18 anos, durante apresentação na delegacia Grupo Especial de Repressão a Roubos a Coletivos (Gerrc). O jovem confessou ser o responsável pela morte do pintor Djalma Paixão Ferreira, 42 anos, assassinado em maio deste ano durante um assalto a ônibus na Avenida Paralela.
Para polícia, Lucas confessou que o alvo era um outro passageiro que reagiu ao assalto e rendeu um dos seus comparsas. Ele disse ainda que efetuou três disparos e que não tinha visto o pintor no coletivo. "Eu não vi que ele estava lá orando, mas eu sabia que, se um dos meus colegas morressem, eu também morreria depois. Atirei porque me mandaram atirar", conta.

O assaltante confessou também que cometeu o assalto a mando de um traficante conhecido como "Boate", responsável pelo tráfico de drogas no bairro de Cajazeiras I. Os outros dois suspeitos, conhecidos como Jacaré e Baco, fugiram logo após o crime. 

Lucas foi preso na última sexta-feira (14) por guarnições da 1ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Pernambués) enquanto assaltava uma Topic do Subsistema de Transporte Especial Complementar (Stec), na companhia de um comparsa, na Estrada Velha do Aeroporto. Depois de ser conduzido para delegacia da Gerrc, ele assumiu a autoria do crime.
De acordo com a polícia, apesar da pouca idade, o jovem é conhecido por ter efetuado outros 20 assaltos a coletivos e pontos de ônibus. Ainda de acordo com a polícia, Lucas sempre agia por volta das 4h da manhã, entre a região do Aeroporto e a Paralela. Em 2015, o assaltante, na época com 16 anos, foi apreendido enquanto roubava um ônibus também na Paralela. Ele foi encaminhado para o Geerc e depois para Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), onde foi liberado logo em seguida.

Segundo o delegado José Nélis Araújo, titular do Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (Gerrc), Lucas também confessou ter participado de outros quatro assaltos em Salvador. Ele foi encaminhado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde vai responder por latrocínio. 

Crime
Djalma foi morto no início da manhã do dia 5 de maio dentro de um coletivo que foi sequestrado e roubado por três suspeitos. Enquanto transitava pela Avenida Paralela, próximo ao viaduto da Avenida Orlando Gomes, passageiros reagiram e entraram em luta corporal com dois comparsas de Lucas, Jacaré e Baco.

O pintor foi atingido por um disparo na cabeça, enquanto rezava. Mesmo ferido, ele saiu do coletivo e caiu morto em uma das vias da Avenida Paralela. Os bandidos fugiram para o bairro de Mussurunga, segundo a polícia.

Djalma já tinha sido assaltado pelo menos duas vezes enquanto se dirigia pelo trabalho na Estrada do Coco. “Ele mudou da Topic pro ônibus e não adiantou”, contou a sobrinha da vítima, Daiane Ferreira.

"É uma violência muito grande. Ele já estava muito aflito, com medo. Todo dia era um assalto no mesmo lugar. Eram os mesmos caras. Meu tio falou para minha avó que ia deixar o emprego no fim do mês porque estava com medo”, revelou Daiane. Nenhum pertence de Djalma foi levado.
Correio 

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