O cão, a onça, as galinhas e a metáfora do momento brasileiro

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O cão, a onça, as galinhas e a metáfora do momento brasileiroDuas notícias que viralizaram nas redes sociais nesta quinta-feira (8) eram relacionadas ao mundo animal. A primeira, a de um cão treinado pela polícia da Austrália que foi “dispensado” do serviço por ser dócil em excesso. A outra foi mais próxima da realidade local: uma onça-parda foi flagrada, no interior de São Paulo, deitada sobre carcaças de 41 galinhas, após invadir um galinheiro e ser “pega no ato” pelo proprietário das aves. Em um momento como o vivenciado pela democracia brasileira, os personagens do reino animal são facilmente transpostos – metaforicamente – para o dia-a-dia de quem desacredita que há uma solução de curto prazo para o país. O cão excessivamente dócil encontra um paralelo fácil com a população, que, ainda que absurdos aconteçam dia sim e outro também, segue rolando com a barriga para cima, para receber o carinho de quem quer que passe. Já a onça-parda pode ser comparada a uma série de autoridades públicas que são sabidamente pouco adequadas para os postos que ocupam e, ainda assim, seguem tomando conta dos “galinheiros”. Há algum tempo, o presidente Michel Temer sangra no Palácio do Planalto, alvo de sucessivos escândalos que vão desde uma conversa fora de hora com um empresário investigado pela Justiça ao uso de um jatinho desse mesmo empresário para uma viagem de final de semana para Comandatuba, na Bahia – esta última com direito a múltiplas versões presidenciais. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde se discute o futuro de Temer, o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, se comporta como advogado do amigo palaciano, conforme o relator Herman Benjamin observou com a classe exigida pelo mundo jurídico. Como isenção é algo pouco esperado no cenário político brasileiro, ambos são exemplos de uma onça-parda a tomar conta de uma revoada, típicos das incongruências desse país. E as galinhas? Para não ser ofensivo, a metáfora que cabe às galináceas deveria ser as instituições públicas, controladas por onças-pardas esperando o momento mais adequada para utilizá-las para o benefício próprio ou de outrem, que não a população. Este trecho integra o comentário veiculado na RBN Digital às 07h e que pode ser ouvido também às 12h30. BN

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