Crise política faz Câmara pensar em modelo de 'distritão' para eleições de 2018

sábado, 27 de maio de 2017

Crise política faz Câmara pensar em modelo de 'distritão' para eleições de 2018A proposta do "distritão" para as eleições de 2018 voltou à pauta da reforma política na Câmara dos Deputados após a grave crise que atingiu o governo Michel Temer. Neste modelo, são eleitos os candidatos mais votados, não aqueles que acabam se beneficiando do sistema de legendas, que depende dos chamados “puxadores de voto”. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, este modelo eleitoral seria uma ponte para se chegar, em 2022, ao voto “distrital misto”, pelo qual metade das cadeiras seria preenchida pela lista fechada e a outra metade, por candidatos mais votados por região. As conversas entre partidos como PMDB, PSDB, DEM, PP, PTB e PSD, que apoiam o novo sistema, estão sendo conduzidas pelo presidente da comissão especial da reforma política, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Na avaliação do peemedebista, a chamada lista fechada, quando os eleitores votam no partido em vez de escolherem candidatos nominalmente, tem grande resistência da opinião pública. "O voto em lista vinha sendo bombardeado pela imprensa, pela opinião pública, porque serviria para esconder parlamentares, o que não é verdade", diz Vieira Lima. "O 'distritão' vai ao encontro da opinião pública, que diz querer saber em quem está votando de forma mais direta. Com essa crise onde todos os partidos terminaram com a imagem chamuscada, parlamentares começaram a ter noção que o voto em lista poderia prejudicar a reeleição deles. Eles veem mais chance na disputa com seu próprio nome", afirma o parlamentar baiano. Para a proposta ser levada adiante, há duas possibilidades: ou o relator, Vicente Cândido (PT-SP), inclui o "distritão" em sua proposta ou se apresenta uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que seria incluída àquela relatada pelo petista. Entretanto, o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), discorda do modelo. "É o fim da democracia brasileira porque cada candidato será um programa. Quem propõe isso vai ser derrotado por artistas, jogadores de futebol, promotores e delegados", diz Zarattini. O petista apoia o voto em lista. "Na pior hipótese, mantém do jeito que tá", afirma.
Informações do jornal Folha de S. Paulo

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