Magistrada contesta rótulo de primeira juíza negra do país

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Magistrada contesta rótulo de primeira juíza negra do país
Atualmente com dificuldade para falar por conta de diversos problemas de saúde, a juíza aposentada Mary de Aguiar Silva, 91 anos, reclamava ao ouvir dizer que a colega de profissão, Luislinda Valois, baiana como ela, seria a primeira magistrada negra do Brasil. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, Mary foi a primeira juíza negra, nomeada em 1962. Luislinda, recém-empossada ministra de Direitos Humanos da gestão Michel Temer, começou a carreira em 1984. O relato é feito pela sobrinha da juíza, a advogada Sheila Aguiar, que prepara a biografia da tia. As duas vivem juntas em Salvador. O rótulo de primeira juíza negra do Brasil vem sido atribuído a Luislinda Valois durante sua vida pública, durante divulgações feitas pelo Planalto ou ainda pelo PSDB, partido ao qual é filiada desde 2013. Em 2010, porém, durante sessão solene no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Luislinda foi anunciada como a terceira – as duas primeiras eram Mary e Alexandrina de Almeida Santos, morta em 2009, que assumira uma comarca no interior do estado em 1967. A própria Luislinda já havia assumido o título, em entrevista ao jornal A Tarde: "Dizem, em pesquisa comprovada, que eu sou a primeira juíza negra do país". Questionada por Folha, a desembargadora aposentada negou que seja a primeira. “Se quiserem dizer que eu não sou, eu já estou dizendo: eu não sou a primeira juíza negra do Brasil. Talvez seja a última, mas eu não quero ser a última. Quero muitas juízas negras". Indagada sobre as informações divulgadas pelo PSDB e pelo Planalto, argumentou não ter feito pesquisa sobre o dado. "Não estou dizendo que não é verídica. Por favor. Eu estou dizendo que não fiz pesquisa sobre isso. Como posso [saber]?", questionou. Ela afirma nunca ter corrigido as pessoas sobre a informação porque teria que "sair no mundo inteiro dizendo isso". Luislinda alega que não incorpora essa denominação. "Eu me descrevo como juíza, negra, pobre, da periferia, candomblecista, de cabelo vermelho, divorciada", afirma. O governo informou que "o Portal Planalto divulgou informações com base na biografia da própria ministra", mesma posição assumida pelo PSDB, ao ser procurado. Formada na Universidade Federal da Bahia, Mary é soteropolitana e filha de um motorista e uma doméstica. Segundo Sheila, a juíza diz "ter muito orgulho" de sua cor. Ela começou a trabalhar em Remanso, no extremo norte da Bahia, em 1962, e foi transferida para Belmonte, no sul do Estado, cinco anos depois. De acordo com Sheila, a tia apontava maiores dificuldades por ser uma juíza mulher no sertão baiano. "Era uma época em que os coronéis comandavam a região", conta. A pioneira não casou e não teve filhos – reportagens da época apontam que Mary era sempre acompanhada pela mãe, Guiomar.
Informações do jornal A Tarde

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